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Por mais mulheres na tecnologia

Por mais mulheres na tecnologia

“Nunca tinha entrado em um laboratório antes, ainda mais com tantos recursos. Eu me senti em um filme. Tivemos uma aula de matemática, não sou muito fã desta matéria, mas adorei a aula. Se a gente tivesse uma aula assim na escola, eu me interessaria mais”.

Foi assim que a jovem ex-aluna da Fundação Julita, Julia Nepomuceno Cardoso, de 19 anos, iniciou a entrevista sobre a experiência dela no Colégio Humboldt.

Por uma iniciativa de professores, a escola particular iniciou um projeto, no ano passado, que visa democratizar a participação de meninas – incluindo as do ensino público – em atividades de Ciência da Computação e Empreendedorismo.

Assim como a Julia, jovens educandas da Fundação Julita foram convidadas a participar do “Curso de Programação e Empreendedorismo Módulo 1”, realizado pelos professores Talita Marcília e Francisco Vianna, do Humboldt. O curso também conta com a participação de estudantes do colégio particular.

“Convidar a Fundação Julita significa ter meninas que possam agregar em termos de infraestrutura e know-how que a comunidade precisa. Meninas que possam pensar, juntas com as da Humboldt, de realidades diferentes, em soluções voltadas para a comunidade. Diferentemente da meritocracia, acredito que, somente se oferecermos oportunidades e condições, as pessoas podem conseguir os seus objetivos”, argumenta Talita, que também é coordenadora da área de Ciências da Natureza e Matemática do colégio.

Do semestre que a Fundação participou, nasceram três ideias de aplicativos: um de “Troca de Livros”; outro para “conscientizar sobre a violência” (não só a física, sobretudo a simbólica, a psicológica e a institucional); e um terceiro que seria uma espécie de “Mapa da Violência”, integrado ao GoogleMaps, que mostraria aonde a pessoa foi assaltada ou sofreu assédio.

 Aplicativos vão concorrer em competição internacional

No módulo 1, os alunos aprenderam a programar no aplicativo para programação em celular MIT App Inventor. Também tiveram a fase de ideação do negócio. Na segunda fase (que acontece agora, neste semestre de 2019), o grupo vai se dividir em funções para desenvolver o Plano de Negócios, Plano de Marketing e o desenvolvimento do aplicativo. Depois, os aplicativos concorrem em uma competição internacional, da empresa IrisCent, do Vale do Silício, Estados Unidos.

Se o projeto de aplicativo for para as “quartas de final” da competição, o grupo terá que fazer uma apresentação ao vivo, o que é muito rico, porque participam da competição escolas, startups e profissionais interessados na democratização do acesso ao conhecimento da tecnologia, sobretudo entre meninas.

Mais igualdade na tecnologia

Talita explica que a programação iniciou com mulheres. “Enquanto elas não podiam acessar Cursos de Engenharia, as mulheres se dedicavam a operar cálculos manuais (isso antes da invenção do computador). Daí quando surgiu a programação voltada para cálculos passaram a ocupar essas funções, inclusive na NASA. Na década de 80, quando surgiu o primeiro computador da Microsoft, a propaganda e o marketing foram voltados para meninos, talvez por conta dos videogames, e as mulheres se distanciaram desse conhecimento”, completa.

Já que essa se tornou uma área majoritariamente de meninos, é preciso aumentar o número de meninas para trazer essa igualdade, defende a educadora.

Exemplo para outras escolas

Segundo a educanda da Fundação, Julia Nepomuceno, participar do curso de programação e empreendedorismo foi uma experiência bastante positiva: “Tivemos vários conteúdos que agregaram muito, como a aula sobre lógica. Acho que deveria ser uma aula que a gente podia ter tido na escola e não tivemos. Também tivemos acesso a aplicativos e recursos de tecnologia. Foi muito válido também para conhecermos novos territórios e o acolhimento foi muito especial, houve a preocupação em fazer algo para mulheres na tecnologia. Isso deveria ser ampliado para outras escolas”.

Este é um típico exemplo de que professores comprometidos podem transformar a história do nosso país, atuando para democratizar o conhecimento.

Clique aqui para conhecer o site da competição.

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